MUMBUCA, TO

Em Mumbuca, a vida é muito pobre. A comunidade, que abriga descendentes de quilombolas, tem como renda a venda de objetos feitos com capim-dourado. Apesar das dificuldades, sorrisos fáceis e uma espontaneidade que a gente da cidade grande desacostumou a conhecer.

Esse é o Wiliam. Perguntei o que ele estava comendo. "Móti", ele respondeu. "E o que é isso?". "É móti", repetiu, com um sorriso tímido. Olhei o prato de perto. Era farinha. Ele me pediu uma bala, mas eu não tinha.

Na comunidade, alguns telhados ainda são feitos com folha de palmeira. Entre as vantagens, a resistência aos ventos fortes e a impermeabilidade em épocas de chuva. "Quando chove, não dá goteira".

Dona Xica viveu em Mumbuca a vida inteira. Quando contei que era carioca, ela me perguntou se eu tinha ido até lá de avião. Eu disse que sim, e perguntei se ela conhecia o Rio. "Conheço, fui de avião", ela respondeu. "E gostou?", perguntei, sem saber se me referia exatamente à cidade ou ao meio de transporte. Dona Xica fez uma careta e sorriu. "Achei muito ruim".

Esse é o irmão mais novo do Wiliam. Ele só sorria, tentava subir na cadeira e gritava: "Balinha! Balinha!".

Vi um grupo de crianças sentadas perto da parede. Perguntei se podia tirar uma foto, e disseram que sim. Mostrei e todos pareceram satisfeitos. "Vocês têm algum e-mail pra onde eu possa mandar a foto?", perguntei, meio sem saber se eles ali tinham acesso à internet.

"E-mail não tenho, mas tenho facebook", respondeu a mais velha das meninas. Danyella então me passou seu nome completo e prometi procurá-la e enviar assim que voltasse pra casa. "Dá pra mandar agora, se quiser", ela disse, "Aqui fora tem wi-fi".